O primeiro dia do resto da minha vida... dezoito anos depois. Em 12 de outubro de 2007, eu me sentava diante do computador para inaugurar este espaço. O título daquela postagem não poderia ser mais emblemática: "O primeiro dia do resto da minha vida...".
Lembro que era um dia chuvoso, eu já estava de biquíni e frustrada por não conseguir caminhar na praia. No rastro daquela memória, Biel e Ricky passeavam pelas Cataratas, Dany devorava um livro de Dan Brown, e eu tentava ajustar meu fuso horário ainda confuso após voltar de Estocolmo.Quase duas décadas se passaram.O "resto da minha vida" aconteceu em alta velocidade. Foram anos intensos de dedicação à docência, mergulhos profundos na pesquisa acadêmica, orientações, congressos, artigos e muitas — muitas — malas prontas para desbravar o mundo.A vida mudou, a maturidade chegou com os meus 61 anos e, curiosamente, o destino me colocou para morar exatamente aqui: de frente para o mar.Mas sabe qual é o grande paradoxo da vida adulta?
Nos últimos tempos, percebi que passo mais tempo olhando o oceano através do vidro da janela da sala ou entre a correção de um trabalho e outro do que sentindo o sal na pele. A rotina corrida de professora e pesquisadora muitas vezes nos tranca no ar-condicionado e nos faz esquecer de usufruir do próprio paraíso que escolhemos para viver.
Desta vez, não é a chuva de outono que está me impedindo de pisar na areia. Sou eu mesma quem precisa reaprender a fazer pausas.Por isso, este post é um marco e um compromisso com a minha própria saúde mental e criatividade. Decidi mudar a rota. O mar que antes era apenas uma pintura na minha janela agora vai voltar a ser o meu quintal.
Menos telas digitais por alguns minutos, menos prazos acadêmicos na mente, e mais passos na orla.Quase dezoito anos depois daquela primeira postagem, olho para o horizonte azul e sinto que, mais uma vez, hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. E ele começa com o pé na areia.
Shalom
para todos nós!























